CIDADE DOS DESEJOS - CAPÍTULO 1 - INOCÊNCIA

Um conto erótico de Renato
Categoria: Homossexual
Data: 17/02/2016 00:40:28
Última revisão: 17/02/2016 01:50:20
Nota 9.90

PRÓLOGO

Não encontrei o olhar de meu pai naquele dia. Perdido em seus próprios pensamentos, ele esteve me evitando desde o início da manhã. Não pude culpá-lo, mas esperei ansiosamente por uma palavra de carinho. Qualquer coisa capaz de demonstrar que seu amor por mim era maior que a série de arrependimentos que lhe proporcionei no decorrer do último mês. Sua postura atormentada me afligia, e quando o ônibus percorreu a plataforma da rodoviária, eu soube que tudo estava terminado. Não importava quantos laços afetivos nos uniam: meu pai não voltaria a me procurar. Nunca mais. E porra, eu não conseguiria viver sem o homem que passei a amar de todas as maneiras possíveis.

CAPÍTULO UM - INOCÊNCIA

1

Nem sempre fui redator. Embora eu viva na metrópole, cercado por arranha-céus e avenidas lotadas, iniciei minha jornada em uma pequena cidade do interior. Nenhum berço de ouro para mim. Filho de uma doméstica e um caminhoneiro, não conheci as regalias da infância moderna, mas a simplicidade de meus pais não impossibilitou um estilo de vida saudável e harmônico. Me lembro de ser uma criança feliz, bem alimentada, rodeada por amigos e aquilo deveria bastar. Não provei a amargura da vida até os oito anos de idade, quando meus pais resolveram dar fim ao matrimônio que unia nossa família.

Não pude entender o fim daquele casamento. Um dia, minha mãe simplesmente decidiu que aquilo não continuaria dando certo. Quando perguntei o motivo, ela disse que eventualmente os adultos se tornavam complicados demais. Seja como for, jamais superei a dor de ver meu pai saindo de casa, com as malas nas mãos. Ele morou no próprio caminhão durante alguns meses. Passou a receber mais encargos, e começou a viajar para lugares cada vez mais distantes. A frequência com que o via foi se tornando menor e mais espaçada, até tornar-se apenas visitas casuais que aconteciam duas ou três vezes por ano.

Minha mãe, orgulhosa, teve sorte maior. Após a separação, com o orçamento apertado, chegamos a passar por algumas dificuldades. Ela se recusava a aceitar o dinheiro de meu pai, e pela primeira vez testemunhei brigas severas entre os dois. Após alguns meses sombrios, ela conheceu outro homem, oficializou o divórcio com meu pai e se casou de novo. Emanuel, meu padrasto, era uma pessoa de maior estabilidade financeira, e certificou-se de que minha mãe não precisaria voltar a trabalhar. E assim a vida continuou seguindo seu rumo.

Embora acostumado à minha nova condição familiar, senti muita falta do meu pai. Suas visitas esporádicas me traziam conforto, mas a distância começou a se fazer determinante. A intimidade que existia entre nós dois foi se perdendo até chegar o dia em que passei a chamá-lo pelo nome. Afetado pela frieza de nossa relação, Eduardo – era esse o seu nome - prometeu que essa situação mudaria. Ele disse que sairia da pensão onde estava vivendo e compraria a própria casa. Jurou que me levaria para viver com ele na capital, onde a vida acelerada ofereceria infinitas possibilidades.

Durante muitos anos eu nutri o sonho de viver na cidade grande, pois aquela era minha chance de evitar um futuro que me reservava somente atividades agrícolas ou comerciais de pequena escala. Eduardo reiterou o convite quando completei dezesseis anos de idade. Minha mãe, enfurecida, tentou barrar toda e qualquer chance de aquilo realmente acontecer. Foi somente após muita conversa e negociação que se chegou à um acordo: ficou decidido que eu passaria as férias escolares com meu pai, todos os anos, até que eu completasse a maioridade, quando então eu poderia decidir se me mudaria ou não. Satisfeito, concordei avidamente com aquela proposta. As coisas finalmente se acertariam – com meu pai e com meu futuro.

2

Meu pai veio me buscar no verão daquele mesmo ano. Sob alertas preocupados de minha mãe, deixei a casa onde vivia com ela e subi no caminhão que meu pai usava para trabalhar. Os primeiros quilômetros foram silenciosos, percorridos sob uma nuvem de timidez. A voz de Eduardo insistia em perguntas casuais que quebravam aquela atmosfera, e logo o constrangimento havia desaparecido. Lembro-me de observar cautelosamente o mundo que se estendia para fora das janelas do caminhão. Queria me agarrar a tudo que parecesse real, pois ainda não conseguia acreditar que aquele momento estivesse de fato acontecendo.

Durante a viagem, conversamos ininterruptamente sobre tudo: minha vida escolar, meu relacionamento com Emanuel, a situação financeira e emocional de minha mãe e temas relacionados. Quando comecei a questionar sobre a vida pessoal de Eduardo, ele começou a se fazer mais evasivo. Cheguei a perguntar se ele havia se interessado por outra mulher nos últimos anos. “Não exatamente”, ele respondeu. Me arrependi de ter tocado nesse assunto segundos mais tarde. Ele devolveu a pergunta, e senti minhas bochechas corando. Respondi de forma superficial, pois naquela época eu ainda não entendia o que estava acontecendo comigo – nenhuma garota me atraía tanto quanto os garotos da escola, mas pensei que jamais poderia dizer aquilo para ninguém, então menti para escapar do assunto.

A estrada vazia tornou-se cada vez mais densa, mais apinhada de veículos. Os vales cederam lugar a construções esparsas que rapidamente se agruparam, formando centros urbanos maiores. Finalmente, surgiram edifícios grandes o bastante para tocar o céu. Havíamos chegado na cidade, e não demorou muito para Eduardo manobrar o caminhão e estacionar na garagem de uma casa modesta. “É aqui”, ele se limitou a dizer. Definitivamente, o tamanho da casa não era proporcional ao tamanho de sua garagem, mas aquilo não me incomodou. Como eu disse, não é possível sentir falta daquilo que nunca vivemos – nenhum berço de ouro para mim.

Ao final da viagem, senti que meu pai e eu estávamos mais próximos do que nunca. Ele me abraçou antes de abrir a porta da casa, e senti um formigamento estranho na barriga. Percebi então o quanto havia sentido sua falta, e desejei não me separar mais daquele que um dia fora meu herói. Sem hesitação e com um sorriso enorme estampado no rosto, ele guiou-me para dentro e apresentou-me todos os cômodos da casa: sala, cozinha, banheiro e dois quartos. Não exatamente uma mansão, mas para mim era um paraíso encrustado em uma terra feita de sonhos e oportunidades.

3

Não demorei muito para desfazer as malas e organizar o quarto onde dormiria pelo próximo mês. Eduardo se mostrou extremamente solícito, ajudando-me a ajeitar as coisas e preparando-nos um lanche. Fiquei contente ao perceber toda a sua empolgação – ele parecia estar feliz comigo por perto. Era quase noite quando acabamos de comer. “Nós deveríamos sair, você e eu”, propôs meu pai. “Gostaria de lhe apresentar à alguns de meus amigos. Além disso, você deveria conhecer um pouco mais da cidade”. Aceitei sem hesitar. Não via a hora de andar pelas grandes avenidas na companhia de Eduardo. Todas aquelas luzes me pareciam extremamente convidativas.

Deslumbrado, conheci algumas das praças mais importantes da região. Pude observar também alguns dos edifícios mais icônicos, além de pontes e monumentos que estampavam cartões postais famosos. Eduardo explicou-me o que era necessário saber, e não demorou muito para que me apaixonasse por aquela cidade. Depois de uma longa caminhada, entramos em um bar de composição simples. Alguns bêbados se esparramavam pelas mesas de plástico, enquanto outros jogavam carteado. Nos sentamos no balcão, e no instante seguinte muitos homens se aproximaram de meu pai. Ele me introduziu como seu filho Renato, e então vários rostos se voltaram para encarar o meu.

“Finalmente o conhecemos”, disse um deles. “Seu pai fala muito a seu respeito”. Outro homem – este bem mais velho – me deu as boas-vindas e disse que eu era a cópia esculpida de Eduardo. O balconista pousou dois copos de cerveja no balcão, oferecendo-nos a bebida como cortesia. Meu pai bebeu um copo rapidamente, e pegou o outro antes que eu pudesse alcança-lo. “Sem álcool para o jovenzinho aqui, Adilson. Meu filho ainda é menor de idade”. Os homens que nos rodeavam gargalharam, e então o balconista me ofereceu um refrigerante de laranja. Aceitei, derrotado.

No fim da noite, Eduardo parecia um pouco alterado. Imagino que ele tenha percebido minha insatisfação – quem se diverte vendo o pai se embriagar enquanto toma refrigerante? – e então sugeriu que voltássemos para casa. No caminho de volta, conversamos sobre minhas primeiras impressões. Eu fingi estar mais entusiasmado do que realmente estava. Aquele universo ainda parecia um pouco tortuoso para mim. Costumava imaginar meu pai como alguém concentrado, que se esforçava para subir na vida e conquistar mais espaço. Vê-lo alcoolizado fez ruir algumas de minhas expectativas mais fortes. Ainda assim, respirar aquele ar espesso parecia mágica. Eu estava realmente satisfeito.

Chegamos em casa alguns minutos mais tarde. Eduardo parecia mais descontraído. Ele perguntou se eu estava com fome, e eu me limitei a dizer que estava bem, apenas cansado da viagem e de toda a movimentação daquele dia. Ele assentiu, dirigindo-se ao banheiro. Fui direto para o quarto e preparei minha cama para dormir. Ouvi meu pai saindo do banho e caminhando em direção ao meu quarto. Ele bateu duas vezes na porta, e pedi que ele entrasse. Ele entrou.

Eduardo ainda estava molhado e usava apenas uma toalha enrolada na cintura. O peitoral robusto era coberto por uma camada de pelos. Os braços e as pernas tinham veias saltadas, evidenciando a dureza de seu trabalho. A pele branca tinha marcas de sol. Ainda assim, aos quarenta e cinco anos de idade ele parecia perfeitamente em forma. Obviamente ele não era do tipo musculoso, mas aquele corpo atraía meu olhar de uma forma intensa, perversa. Estremeci. Tirando-me de meus devaneios, meu pai desejou-me uma boa noite de sono e aconselhou-me a tomar um banho rápido para relaxar.

Assim o fiz, mas de nada adiantou. Apaguei a luz do quarto e me deitei, mas não dormi durante a maior parte da noite. A imagem de Eduardo parado ali, na porta do quarto, ainda estava vívida em minha mente insinuante. Continuei pensando na toalha que o envolvia, no peito largo, na pelugem máscula, nos braços e pernas fortes, na barriga pouco avantajada, nos atraentes desenhos de suas veias. Foi então que percebi que estava excitado. Fiquei em choque ao constatar que meu pau estava duro como pedra. Um arrepio percorreu minha espinha, e tentei pensar em outra coisa, em vão. Só consegui dormir após me masturbar, e para meu horror, foi em Eduardo que estava pensando quando finalmente gozei.

[NOTA DO AUTOR]: O PRESENTE CONTO É FICTÍCIO. ELE SERÁ SUBDIVIDO EM CINCO CAPÍTULOS PUBLICADOS SEMANALMENTE. O SEGUNDO CAPÍTULO - FASCÍNIO - SERÁ PUBLICADO NO DIA 24 DE FEVEREIRO DE 2016. SE VOCÊ GOSTOU DA HISTÓRIA, DEIXE SEU COMENTÁRIO!

Comentários

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27/07/2016 01:05:11
Mt bem escrito! Bora ler.
29/03/2016 14:18:20
20/03/2016 16:31:01
muito bom seu conto leia meu primeiro conto uma chupada bem gostosa na sua piroca
29/02/2016 21:34:48
Que tesão esta mim dando, hummm
24/02/2016 21:02:38
Tem todos os ingredientes para ser um conto realmente excelente!
24/02/2016 10:16:51
muito bom aguardando a continuação deixa ele arrebentar seu cu ate sangrar,mas deixa ele te engravidar
22/02/2016 01:12:04
Muito bom. Gosto muito de contos de incesto com Pai e Filho, e se for bem escrito melhor ainda. Aguardando a continuação;
21/02/2016 14:23:07
cara ta muito bom.otimo narração muito bom seu conto bjs
21/02/2016 09:23:35
Muito bom
21/02/2016 00:51:36
Gostei tbm...ancioso pro proximo capitulo..
20/02/2016 00:10:16
muito bom e bem escrito, parabéns
19/02/2016 00:28:53
Toda a descrição da cidade me lembrou Nova York
18/02/2016 20:30:12
MUITO BOM. CONTO BEM ESCRITO, SEM ERROS EM PARÁGRAFOS, DE FÁCIL ENTENDIMENTO E UMA HISTÓRIA QUE PROMETE EMOÇÕES. PARABÉNS.
18/02/2016 16:13:39
Gostei!
Lc
17/02/2016 23:28:43
Muito bom!
17/02/2016 15:24:35
Muito bom ótima narrativa
17/02/2016 14:41:40
Muito bom!
17/02/2016 10:22:23
Ótimo
17/02/2016 08:03:53
Muito bom
17/02/2016 07:29:53
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